
Evento discute Causa Animal, Autismo, Modernização do Estado e Longevidade
Manhã apontou avanços e obstáculos em áreas sociais sensíveis da sociedade
Levantando discussões que levaram dados atualizados aos participantes, a terceira manhã de painéis contou ainda com experiências práticas e reflexões sobre caminhos possíveis para o fortalecimento das políticas públicas municipais e estaduais.
O painel sobre Causa Animal, coordenado por João Henrique de Almeida, Diretor de Relações Institucionais da UVESP, abriu as atividades contando com a participação de Rafael Saraiva, Deputado Estadual de São Paulo; Palhinha, Secretário Adjunto de Causa Animal da Prefeitura de Botucatu; Sônia Modena, ex-Vereadora de Mogi Mirim.
João Henrique de Almeida destacou que São Paulo já conta com cerca de 160 vereadores eleitos com essa bandeira e mencionou o Conexão Animal, evento que ocorre em dezembro e reforça o interesse da UVESP pelo tema. “Aos poucos a gente tem lutado para que essa não seja apenas uma política de governo, mas que no futuro ela possa ser uma política de Estado”.
Sônia Modena, em sua fala, chamou atenção para a disparidade entre a demanda e o atendimento à causa. “Mais de 80% das famílias brasileiras possuem animal de estimação e às vezes não têm condições de oferecer castração e cuidados veterinários. Nós vemos os custos da ração, das medicações com porcentagem altíssima de impostos. E se a gente precisa de um retorno para o animal, a gente não tem”, alertou.
Na sequência, Palhinha ressaltou que o tema muitas vezes é tratado como apêndice pelas administrações, apesar de sua relevância social. Lembrou que Botucatu criou um Departamento de Proteção Animal e registrou 1.800 denúncias de maus-tratos no último ano. “Precisamos ser a voz dos animais. Todas as causas são fundamentais. Se a gente não falar por eles, eles vão sofrer cada vez mais”.
O Deputado Rafael Saraiva falou sobre iniciativas em andamento, como a primeira campanha de castração estadual, a ampliação do Pet Container e a criação dos Centros de Triagem de Animais Silvestres (CETAS). Ele evidenciou ainda a consulta pública do novo Código de Proteção Animal, que recebeu 4.470 sugestões de 92% dos municípios paulistas.
Saraiva também defendeu o protagonismo dos municípios, que podem especificar o que caracteriza maus-tratos e adotar iniciativas como cursos profissionalizantes para pet shops e parcerias para aproveitamento de rações. “Vamos nos juntar e inserir políticas públicas nos municípios. Quem gosta de bicho, gosta de gente”, concluiu.
Políticas Públicas para o Autismo
O segundo painel da manhã abordou “Políticas Públicas para o Autismo”, reunindo Marcos da Costa, Secretário dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Estado de São Paulo; Cid Torquato, Coordenador do Núcleo de Inovação em Acessibilidade do INOVA USP; Maria Alice Saccani
Scardoelli, Vice-Presidente do CREMESP; Flávia Pessoa, fundadora do Clube de Mães Atípicas; Rafa Zimbaldi, Deputado Estadual; e Fabiano Soares, Vereador de Holambra.
Maria Alice apresentou dados da Secretaria de Saúde de São Paulo, que registrou 879.377 atendimentos a pessoas com TEA em 2024, e ressaltou o Plano Estadual Integrado para Pessoas com Transtorno do Espectro Autista. “É atrás disso que nós todos estamos”, falou, ao defender políticas intersetoriais.
Marcos da Costa sublinhou a importância do diagnóstico formal para garantir políticas eficazes e destacou a criação do Centro TEA Paulista. “Foi pensado para ser um espaço de apoio às prefeituras e câmaras municipais”.
Cid Torquato alertou para a exclusão digital: “Menos de 3% dos sites brasileiros são acessíveis. A tecnologia tem que vir para ajudar e não para excluir”. Ele também convidou os municípios a conhecerem o ICOM, ONG que oferece serviços de tradução e interpretação em Libras.
Fabiano Soares trouxe dados do IBGE, apontando cerca de 2,4 milhões de brasileiros com TEA, mas destacou que apenas 7,4% chegam ao ensino superior. “Enquanto nós continuarmos deixando as pessoas com deficiência do lado de fora da discussão, nós estamos deixando pessoas para trás”, disse.
Desafios da Modernização do Estado, Democracia e Liderança Pública
O painel seguinte foi coordenado por Antônio Duarte, Nogueira, ex-Prefeito de Ribeirão Preto, e teve a participação de Fernando Luís Schüler, cientista político e professor do Insper; Cido Urso, presidente da Câmara de Holambra; e Sônia Beolchi, vereadora de Ibirá.
Schüler destacou os avanços de parcerias entre setor público e privado. “No Brasil foi construído um sistema inteligente de cooperação que trouxe ganho de produtividade e qualidade de serviço, especialmente nas cidades. Essa é a melhor novidade da administração pública nos últimos 20 ou 30 anos”.
Ele citou exemplos de contratos de gestão em unidades de semiliberdade para jovens, a PPP para escolas em Belo Horizonte e a concessão do Parque Ibirapuera. “O modelo tem que funcionar como uma inteligência estratégica onde cada um faz sua parte”, explicou.
Nogueira encerrou reforçando a necessidade de inovação na gestão. “Nós só temos quatro anos que a população nos oferece para resolver problemas. Não adianta repetir as coisas como sempre foram feitas e esperar resultados diferentes”, disse.
Longevidade
O painel “Longevidade: da prata ao protagonismo” contou com Carlos Cruz, ex-presidente da APM; Walter Feldman, presidente da Longevidade Expo+Fórum; Gerson Alves, vereador de Assis; e Egidio Lima Dórea, coordenador do Programa USP 60+.
Carlos Cruz ressaltou a urgência de políticas públicas voltadas ao envelhecimento. “Após 2030, a população acima de 60 anos crescerá significativamente, mas ainda não existem departamentos ou secretarias nos municípios para essa pauta. É um fenômeno mundial”, destacou.
Egidio Dórea apresentou dados que projetam a duplicação da população idosa até 2060. “Envelhecer tornou-se o nosso destino”, disse, apontando também que 61% das empresas não têm medidas para reter profissionais 50+. “Idadismo é um preconceito estruturado em nossa sociedade”.
O palestrante defendeu a criação de uma cultura intergeracional e alertou para os impactos do preconceito etário na saúde física, social e mental. “Nossa sociedade tem que estar consciente e pró-ativa neste processo de envelhecimento. Se não tivermos oportunidades, não conseguiremos envelhecer de forma saudável”, reforçou.
Encerrando o painel, Walter Feldman pediu a superação da visão assistencialista em relação aos idosos. “É essencial compreender o planejamento que os municípios estão desenvolvendo para lidar com esse desafio. A demanda é social, mas também econômica e estruturante”, acrescentou.