Segunda tarde aborda inovação e cooperação entre municípios

Michel Temer, um dos destaques da programação, falou sobre reformas e a polarização na política

A oitava edição do Conexidades reuniu na segunda tarde de atividades um conjunto de painéis que reforçaram a importância da inovação tecnológica, da cooperação intermunicipal, da sustentabilidade e da conciliação política como caminhos para o desenvolvimento dos municípios.

Cidades Inteligentes

O painel “Cidades Inteligentes: Soluções BB para Cidades que Transformam o Futuro” apresentou iniciativas do Banco do Brasil voltadas à modernização da gestão pública. A condução foi de Diogo Prim, que ressaltou a importância da tecnologia como aliada na construção de cidades mais eficientes, inclusivas e sustentáveis.

Diogo lembrou que o Banco do Brasil foi reconhecido seis vezes como o banco mais sustentável do mundo e tem buscado alinhar suas soluções aos desafios do futuro urbano. Entre os exemplos exibidos, a Poupança
Social recebeu atenção especial. Voltada ao pagamento de benefícios sociais, permite saldo de até R$ 5 mil sem cobrança de tarifas, garantindo que o valor possa ser integralmente utilizado. A digitalização do processo reduz deslocamentos e promove inclusão financeira a quem ainda dependia de cheques.

Outro recurso destacado foi o Spid BB, plataforma de mobilidade urbana que reúne serviços de transporte como Uber, 99 e cooperativas de táxi. A ferramenta possibilita que gestores públicos façam micro licitações automáticas, escolhendo a opção mais econômica. Além de painéis de gestão e controle de gastos, oferece contratos únicos com inexigibilidade de licitação.

Na área de arrecadação, o BB Pay Arrecadação foi exposto como uma solução moderna que permite o pagamento de tributos via cartão de crédito, com liquidação imediata e sem custos adicionais para o município. A operação pode ser feita tanto online quanto presencialmente, em totens e agências.

O BB também trouxe linhas de crédito específicas para municípios, como o BB Financiamento
– Setor Público
e o Programa Eficiência Municipal Mais Sustentável. As iniciativas permitem financiamento de até 100% do valor proposto, com prazos de até 10 anos e carência de até três anos para projetos voltados à energia limpa e sustentabilidade.

Parcerias

O painel “Parcerias, Sustentabilidade e Crescimento: o novo ciclo da transformação no Estado de São Paulo” reuniu lideranças públicas e privadas em torno de políticas de cooperação intermunicipal e estadual. A coordenação foi de Fernando Godoy, que enfatizou a relevância dos consórcios como ferramenta de fortalecimento dos municípios.

Godoy ressaltou que a criação de consórcios de saúde envolvendo cidades como Jundiaí,
Piracicaba e São Carlos possibilitou ampliar o acesso à população. Comentou ainda que a Federação dos Consórcios Administrativos e Autárquicos do Estado de São Paulo atua para modernizar a legislação, dando mais autonomia aos gestores e garantindo respaldo jurídico.

Marcelo Cardinale Branco, Secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação, expôs os avanços nas áreas de moradia e infraestrutura. Segundo ele, em dois anos e meio o Estado entregou mais de 63 mil unidades habitacionais e tem outras 108 mil em produção. Programas como Vida Longa e Viver Melhor foram apontados como exemplos de políticas voltadas à inclusão social e resiliência climática. O programa Cidade Legal, por sua vez, já regularizou mais de 109 mil títulos fundiários em 560 municípios.

Rafael Benini, Secretário de Parcerias e Investimentos, destacou projetos de mobilidade, como a expansão da Linha 4 até Taboão da Serra, a Linha 14 ligando o ABC à Zona Leste, além de estudos para novos trens até
Sorocaba e Santos. Também apresentou o plano de construção de 33 escolas no interior e a revitalização do centro da capital com a criação do Centro Administrativo nos Campos Elíseos. No campo ambiental, o programa
UNIVERSALIZA SP, da Sabesp, busca ampliar o acesso à água e saneamento, enquanto investimentos em resíduos sólidos já somam
R$ 340 milhões contratados.

O vice-prefeito de São José dos Campos, Coronel Wilker dos Santos Lopes, detalhou os esforços locais pela neutralidade de carbono. Ele citou programas como Arboriza São José, que já registrou 83 mil árvores com
QR Code, e o Observa, sistema de monitoramento por satélite para uso do solo. Também ressaltou a mobilidade limpa, com ônibus 100% elétricos na Linha Verde, frota municipal elétrica, usinas de biogás e energia fotovoltaica. “Bom mesmo é viver em São José”, afirmou.

Sebastião Misiara, presidente da UVESP, reforçou que o crescimento sustentável exige união entre poder público e iniciativa privada. Em suas palavras, “nunca se trabalhou tanto em favor dos invisíveis como agora”.

Economia circular e sustentabilidade

No mesmo dia, o evento recebeu o painel “Economia Circular: Reciclando Hábitos,
Transformando Atitudes”
. Estiveram presentes: Beatriz Luz, Presidente do Instituto Brasileiro de Economia Circular (IBEC); Marcos Poiato, Fundador da Poiato Recicla; Alessandro Gadelha, Engenheiro de produção da Wolf Termoplásticos e especialista em reaproveitamento de termoplásticos e desenvolvimento de produtos sustentáveis; Édison Carlos, Diretor de Sustentabilidade da Aegea e Presidente do Instituto Aegea e João da Silva Timba, Vereador de Assis.

Beatriz Luz explicou os fundamentos da economia circular e compartilhou tendências do setor. Ela ressaltou que “ser eficiente não é mais suficiente. A gente tem que fazer de forma diferente”. Mostrou dados que indicam queda na taxa de circularidade global, de 9% em 2018 para 7,2% em 2024, e destacou a necessidade de mudar o modelo de consumo e produção. Também mencionou o Plano Nacional de Economia Circular, afirmando: “Ninguém vai fazer essa transformação sozinho”.

Marcos Poiato relatou a experiência de sua empresa, a Poiato Recicla, primeira usina de reciclagem de resíduos de cigarro no país. Ele lembrou que a bituca contém mais de sete mil substâncias tóxicas e defendeu mudanças de comportamento. Sua iniciativa promove coleta, reciclagem e ações educativas.

Alessandro Gadelha apresentou um projeto que transforma resíduos da indústria têxtil em material para construção de casas sem cimento ou argamassa. Segundo ele, a ideia surgiu a partir de dificuldades de moradia enfrentadas por trabalhadores e já mostrou resultados concretos em residências mais amplas e confortáveis.

Édison Carlos, da Aegea, abordou o reúso da água e a necessidade de modernizar o saneamento básico. “Não há nenhuma infraestrutura mais atrasada no Brasil do que o saneamento básico”, afirmou. Ele explicou que resíduos do tratamento já estão sendo utilizados como fertilizante no agronegócio.

O vereador João da Silva encerrou com um apelo à ação coletiva: “O Brasil e o mundo têm jeito em relação ao meio ambiente, mas depende de cada um de nós”.

Diálogo

O ex-presidente Michel Temer foi o destaque de um dos painéis da tarde do dia 6, acompanhado por Gustavo Reis, ex-Prefeito de Jaguariúna, Miguel Esperança, Vice-Prefeito de Holambra, João Paulo Felizardo, Presidente da União dos Vereadores de Minas Gerais (UV-MINAS), Antônio Imbassahy, ex-Governador da Bahia, Gilson Conzatti, Presidente da União dos Vereadores do Brasil (UVB), Carlos Cruz, Ex-Presidente da Associaçao Paulista de Municípios (APM) e Caio Couto, Diretor da rede Vida.

Gustavo Reis. mediador do enconstro afirmou que o ex-Presidente é uma referência em um período de polarização, “sem dúvida é uma pessoa do diálogo”.

Em sua fala, Michel Temer defendeu a proteção das receitas municipais na reforma tributária e destacou que as mudanças devem fortalecer os municípios. Ele também elogiou a realização do evento: ” É um exercício vigoroso da cidadania. E isso aqui é fundamental, é importante”.

Outro ponto debatido foi a necessidade de pacificação política. Temer ressaltou que “o que vale para o povo é o resultado, não a rotulação”, criticando divisões ideológicas que prejudicam a construção de consensos. Para ele, “não é possível dividir nós contra eles, somos todos brasileiros”.