Educação tecnológica e STEAM: o futuro que começa nas redes municipais

Especialista aponta caminhos para modernizar o ensino público nas cidades

Transformar o ensino municipal exige mais do que modernizar laboratórios. O desafio está em repensar o modelo pedagógico, aproximando as escolas das demandas do século 21, em um movimento que passa pelo desenvolvimento de competências, metodologias ativas e cultura maker, onde o aluno assume o protagonismo do aprendizado. Essa é a avaliação de Sílvia Donnini, diretora de Relações Institucionais da Zoom Education for Life, empresa que atua há três décadas com inovação educacional no Brasil.

Formação docente e novos paradigmas

Para que a inovação chegue de fato às salas de aula, a formação docente precisa ser o ponto de partida. Segundo Sílvia, “os gargalos, do ponto de vista pedagógico, estão relacionados à formação tanto inicial – no âmbito da graduação – quanto à formação continuada e em serviço – dos professores e profissionais da educação”.

Ela destaca que a nova BNCC Computação e o pensamento computacional no currículo trouxeram a necessidade do debate sobre educação tecnológica, e não apenas sobre tecnologias educacionais. “Assim, essa mudança de paradigma, aliada à inovação curricular proposta pela Base Nacional Comum Curricular, impõe o desafio da formação dos profissionais da educação e dos professores em tecnologias educacionais”.

Ou seja, a ampliação da formação docente não se limita à inclusão de ferramentas digitais, mas também à capacidade de criar experiências de aprendizagem mais autônomas e criativas.

Gestão pública e currículo alinhado ao mundo real

Para Sílvia Donnini, os estudantes devem dominar habilidades como colaboração e comunicação, além de competências técnicas que os preparem para resolver problemas complexos. “A gestão municipal precisa estar alinhada às novas demandas e propor políticas públicas educacionais que tenham foco no resultado da aprendizagem dos estudantes a partir de estratégias de ensino inovadoras, baseada em projetos desafiadores, que proponham soluções criativas para resolução de problemas concretos, como mudanças climáticas, cidadania planetária, sustentabilidade, entre outros”.

Ela reforça ainda que currículos baseados em STEAM (Ciências, Tecnologias, Engenharias, Artes e Matemáticas) favorecem uma aprendizagem interdisciplinar e significativa, aproximando os alunos dos problemas de sua própria comunidade.

Primeiros passos e estrutura necessária

Para as gestões que desejam dar o primeiro passo rumo à inovação, a diretora de Relações Institucionais recomenda investimento na formação de professores. “A implementação de política educacional que esteja alinhada à educação tecnológica e aprendizagem criativa – Hands On – Aprender Fazendo requer investimento em formação de professores, material de apoio para os estudantes e para os professores, formação continuada e em serviço com suporte técnico, pedagógico e tecnológico”.

A Zoom Education, segundo ela, oferece um ecossistema completo baseado na metodologia Aprender Fazendo, com programas que incentivam o pensamento computacional desde a Educação Infantil.

Planejamento e orçamento sustentável

Do ponto de vista financeiro, o gestor público deve prever recursos do Fundeb, de emendas parlamentares e de programas federais como o Educação Conectada, VAAR e/ou Tesouro para esse tipo de implementação. “O ensino de tecnologias deve ser integrado de forma transversal às demais disciplinas, e não como uma disciplina isolada”.

Outra forma de fortalecer essas iniciativas é por meio de parcerias público-privadas. “O provérbio africano diz: ‘É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança’; portanto, as alianças que envolvem diversos atores sociais, culturais, tecnológicos, científicos e empresariais fortalecem o compromisso por uma educação de qualidade para todos, com foco na aprendizagem e no desenvolvimento integral de crianças, adolescentes, jovens e adultos”, afirma.

Por fim, ela resume quatro recomendações essenciais para prefeitos e secretários: fazer alianças com parceiros estratégicos para formação dos professores em metodologias ativas, robótica, hands on e STEAM; garantir infraestrutura digital adequada; implementar o pensamento computacional e o período integral desde a educação infantil; e implementar uma política de monitoramento da progressão das aprendizagens baseada na Base Nacional Comum Curricular.