Cidade, que já foi símbolo de poluição industrial, é reconhecida com selo verde da ONU

No último mês de abril, a cidade de Cubatão, na Baixada Santista, foi oficialmente reconhecida como uma das “Tree Cities of the World”, selo concedido pela Organização das Nações Unidas (ONU) em parceria com a “Arbor Day Foundation”. A inclusão da cidade na seleta lista internacional marca um ponto de inflexão na história do município, que já foi conhecido como “Vale da Morte” nos anos 1980, devido aos altos índices de poluição causados pelo intenso parque industrial da região.

O reconhecimento internacional é resultado de uma série de políticas públicas voltadas à gestão ambiental, com ênfase na arborização urbana e na recuperação de áreas verdes degradadas. A cidade passou a adotar práticas reconhecidas como eficazes na promoção da qualidade de vida, gestão sustentável do território e valorização do papel das árvores no ambiente urbano.

Mudança de paradigma ambiental

O selo Tree Cities of the World é capitaneado pela FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) e é concedido às cidades que demonstram compromisso com o manejo adequado de florestas urbanas e espaços arborizados. No Brasil, apenas 34 municípios possuem o reconhecimento, sendo 12 deles no estado de São Paulo.

Para Cubatão, o selo representa mais que um título: simboliza a mudança de um passado de degradação para um presente voltado à sustentabilidade. Entre as ações determinantes para a certificação estão a implementação do Plano Municipal de Arborização Urbana, a exigência de compensações ecológicas com plantio de espécies nativas, e a requalificação urbanística de regiões vulneráveis com integração de áreas verdes.

Planejamento e engajamento coletivo

O professor Maurício Lamano Ferreira, representante da Arbor Day Foundation e pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), foi o responsável pela indicação de Cubatão ao selo. Em seu discurso, ressaltou o papel transformador da arborização urbana e o esforço coordenado entre governo, sociedade civil, entidades acadêmicas e conselhos gestores. “Para que houvesse uma mudança de paradigma, a cidade precisava implementar ações exemplares que contribuíssem para recuperação do passivo ambiental deixado há décadas. E isso aconteceu”, disse.

Segundo o especialista, árvores plantadas em locais adequados impactam diretamente na qualidade de vida urbana, ajudando a combater enchentes, melhorar a temperatura das cidades e ampliar a biodiversidade local. Para ele, Cubatão tornou-se um caso emblemático de reabilitação ambiental com forte participação social. “Isso só acontece em municípios que agregam uma série de fatores. Entre eles, a união dos poderes constituídos, comunidades engajadas no tema, além de entidades sérias representativas da sociedade organizada”, concluiu.

O professor Lamano também integra o Plano Nacional de Arborização, do qual Cubatão agora faz parte. A cidade está entre os poucos municípios brasileiros que já possuem um plano de arborização aprovado e em execução, elemento considerado fundamental para garantir o desenvolvimento sustentável a longo prazo.

Ruptura com o passado

Nos anos 1980, Cubatão tornou-se conhecida internacionalmente por seus índices alarmantes de poluição, gerados por atividades industriais intensas, que causavam danos ao meio ambiente e à saúde da população. O caso mais emblemático foi o da Serra do Mar, cujas encostas ficaram visivelmente devastadas.

Décadas depois, o cenário se transformou. Para Cleiton
Jordão, secretário municipal de Meio Ambiente, Segurança Climática e Bem-estar Animal, a transição de uma “cidade cinza” para uma “cidade verde” é um feito com relevância global. “Isso demonstra que o poder público, por meio de parcerias importantes, está fazendo a sua parte em prol da cidade e das pessoas”, comentou.

O prefeito César Nascimento também destacou o simbolismo do reconhecimento. “O selo de ‘Cidade Verde do Mundo’ é a ratificação de que Cubatão está no rumo certo, de que realmente Cubatão é o Vale da Vida”, declarou em publicação oficial. Para ele, a conquista deve ser compartilhada com toda a população, como reflexo de um trabalho coletivo entre governo, entidades e cidadãos.

Cubatão foi premiada por políticas públicas que promovem arborização urbana e recuperação de áreas degradadas