Desafios da saúde urbana exigem cooperação global e soluções inovadoras nas megacidades

Seminário em São Paulo reuniu especialistas das Américas para debater saúde pública

No mês de setembro, o Seminário Internacional Desafios da Saúde nas Megacidades, promovido pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo SES-SP em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), reuniu autoridades, pesquisadores e gestores de seis países das Américas no Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio-Libanês, na capital paulista. O objetivo: debater práticas e políticas capazes de tornar os sistemas de saúde urbanos mais resilientes, inclusivos e sustentáveis — em um momento estratégico vinculado à agenda da COP30, marcada para novembro em Belém (PA).

O encontro concentrou vozes de Argentina, Brasil, Canadá, Chile, México e Peru, numa troca de experiências para enfrentar desafios comuns nas metrópoles: expansão urbana acelerada, desigualdades territoriais e maior prevalência de doenças crônicas. Em âmbito regional, há pelo menos oito megacidades com mais de 10 milhões de habitantes — como São Paulo, Cidade do
México, Buenos Aires, Lima — onde essas disparidades se manifestam de modo evidente.

Desigualdades e perspectivas

Nas megacidades das Américas, a distribuição desigual de fatores de risco leva a cenários severos de saúde pública: prevalência acentuada de doenças crônicas como diabetes, doenças cardiovasculares e neoplasias; desigualdade no acesso a serviços essenciais como saúde, saneamento e água potável; e centros urbanos fragmentados por contextos sociais e econômicos contrastantes.

Embora as metrópoles concentrem infraestrutura médica e tecnológica, muitas vezes ela não alcança as populações mais vulneráveis. A segregação urbana — por renda, raça, escolaridade — reforça bolsões de exclusão e resulta em disparidades expressivas de expectativa de vida entre bairros.

No discurso de abertura do evento, Cristian Morales, representante da OPAS no Brasil, enfatizou que somente por meio da cooperação será possível enfrentar os impactos da urbanização. “A união de governos, trabalhadores de saúde, pesquisadores, sociedade civil e organismos internacionais é fundamental para construir sistemas mais integrados e resilientes”, afirmou.

O  secretário  de  Estado  da  Saúde de São Paulo, Eleuses Paiva, reforçou que há desafios comuns entre grandes cidades das Américas, e que o intercâmbio internacional pode acelerar o aprimoramento dos sistemas de saúde. Ele lembra que a parceria entre a SES-SP e a OPAS já tem resultados práticos no estado paulista, sobretudo por meio do fortalecimento da regionalização da saúde, com redução das desigualdades entre regiões metropolitanas e interioranas.

Já a conferência magna do evento ficou a cargo de James Fitzgerald, diretor do Departamento de Sistemas e Serviços de Saúde da sede da OPAS. Ele ressaltou que as megacidades terão papel decisivo na saúde global: até 2050, projeta-se que mais de dois terços da população mundial viverão em áreas urbanas. Nesse cenário, as escolhas feitas nas grandes metrópoles repercutirão no bem-estar coletivo planetário.

Iniciativas da capital paulista

Sendo a maior cidade do país, as iniciativas de São Paulo podem servir como exemplo para outras localidades. Em nota à redação, a Secretaria Municipal da Saúde SMS divulgou alguns dados atualizados sobre a saúde na capital paulista: a rede conta com 1.056 equipamentos voltados à atenção primária, atenção especializada e hospitalar, incluindo Unidades Básicas de Saúde, Centros de Atenção Psicossocial, Unidades de Pronto Atendimento, hospitais municipais e hospitais-dia (que realizam consultas, exames e cirurgias de pequeno e médio porte). A estrutura massiva deverá aumentar em breve: atualmente, quase 200 obras de ampliação, reforma ou requalificação estão em curso.

No município, a telemedicina ganhou destaque como estratégia para expandir cobertura e agilizar atendimentos: há consultórios digitais em UPAs, UBSs e ambulatórios, teleinterconsultas com especialistas e o serviço Pronto Saúde Digital via aplicativo e-saúdeSP.

Também são contínuas as ações de promoção do envelhecimento saudável: o programa Nossos Idosos atua em todas as UBSs, apoiado por uma Avaliação Multidimensional da Pessoa Idosa na Atenção Básica AMPI-AB. A partir dessa análise, desenvolvem-se ações específicas. A capital conta com 13 Unidades de Referência à Saúde do Idoso Ursis e o programa Acompanhante de Idosos (PAI).

Esses projetos municipais ajudam a demonstrar que, mesmo em grandes cidades complexas, é possível articular políticas estruturadas, tecnologias inclusivas e regionalização para diminuir desigualdades e aumentar a resolutividade da atenção básica.