Especialista detalha como comissões de ética podem prevenir conflitos e adoecimento

O ambiente de trabalho nos poderes públicos municipais, em especial nas câmaras de vereadores e prefeituras, demanda uma análise que transcende a mera observância das normas legais e a busca pela eficiência administrativa. Logo, a atenção à saúde mental dos servidores e a promoção de uma cultura ética nas relações interpessoais são, cada vez mais, pilares essenciais para a consolidação de uma gestão pública de qualidade.

Além disso, a construção de espaços laborais saudáveis e éticos não apenas contribui para o bem-estar dos indivíduos, mas também fortalece a governança, otimiza o serviço prestado à população e previne o desenvolvimento de transtornos psíquicos e a ocorrência de conflitos institucionais.

A relevância desses temas ganhou destaque em iniciativas como a do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCESP), que implementou a Brigada em Saúde Mental e intensificou as atividades de sua Comissão de Ética.

Com o objetivo de fornecer informações claras e concisas, o consultor jurídico da União dos Vereadores do Estado de São Paulo (UVESP) Dr. João Costa responde, a seguir, as principais questões sobre a temática crucial.

Qual é o papel da Comissão de Ética nos órgãos municipais?

A Comissão de Ética desempenha a função de orientar os servidores públicos municipais em relação às condutas adequadas, atuando na prevenção de conflitos de natureza ética, promovendo a observância dos princípios da moralidade administrativa e intermediando situações que envolvam dilemas éticos no ambiente de trabalho.

O que significa saúde mental no contexto do serviço público?

No âmbito do serviço público, saúde mental refere-se ao estado de equilíbrio emocional, psicológico e social que possibilita ao servidor enfrentar as demandas e os desafios inerentes ao trabalho, desenvolver suas potencialidades, ser produtivo e contribuir de forma positiva para o clima organizacional.

O servidor público pode ser responsabilizado por condutas de assédio moral ou antiéticas?

Sim, o servidor público está sujeito a responsabilização nas esferas civil, administrativa e, em certos casos, penal, por condutas que violem os princípios éticos da administração pública, como assédio moral, discriminação, abuso de poder e outras formas de comportamento antiético.

As câmaras e prefeituras devem instituir brigadas ou comissões de saúde mental?

Recomenda-se que as câmaras municipais e prefeituras desenvolvam e implementem políticas locais voltadas para a saúde mental dos servidores. Essa implementação pode ocorrer por meio da criação de brigadas especializadas, comissões multidisciplinares ou núcleos intersetoriais, assegurando uma atenção contínua e estruturada à temática.

Por que saúde mental e ética estão interligadas?

A interconexão entre saúde mental e ética reside no fato de que relações de trabalho saudáveis se fundamentam no respeito mútuo, na empatia e na comunicação eficaz. A ética profissional estabelece um ambiente que protege a saúde mental dos servidores, enquanto o cuidado com a saúde mental, por sua vez, favorece a manutenção de condutas éticas no ambiente laboral.

Como assegurar a proteção dos dados pessoais dos servidores em ações de saúde mental?

A proteção dos dados pessoais dos servidores em ações relacionadas à saúde mental deve ser garantida mediante o estrito cumprimento da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). É imprescindível assegurar a confidencialidade das informações e restringir o acesso a esses dados apenas aos profissionais diretamente envolvidos na prestação da assistência.

Quais estratégias podem ser adotadas para prevenir conflitos éticos e psicológicos no ambiente
de trabalho?

A Comissão de Ética desempenha a função de orientar os servidores públicos municipais em relação às condutas adequadas, atuando na prevenção de conflitos de natureza ética, promovendo a observância dos princípios da moralidade administrativa e intermediando situações que envolvam dilemas éticos no ambiente de trabalho.

O que estabelece a legislação sobre a responsabilidade do gestor público em relação à saúde mental dos servidores?

A legislação, em consonância com o artigo 196 da Constituição Federal e o artigo 157 da Consolidação das Leis do Trabalho (aplicável subsidiariamente), impõe ao gestor público o dever de garantir um ambiente de trabalho seguro e saudável. A omissão do gestor em adotar medidas preventivas e de cuidado com a saúde mental dos servidores pode gerar responsabilização em casos de danos comprovados.