Iluminação pública inteligente impulsiona transformação digital nas cidades

Modernização abre caminho para segurança, economia e inovação na gestão urbana

A iluminação pública, antes limitada à função básica de iluminar ruas e avenidas, passou a ocupar papel estratégico na estruturação das cidades inteligentes. Por meio da modernização dos parques de iluminação e da adoção de tecnologias avançadas, o setor vem se consolidando como ponto de partida para iniciativas de conectividade, segurança e sustentabilidade urbana.

Atualmente, já são 143 contratos de parcerias público-privadas (PPPs) em andamento em 173 municípios, atendendo cerca de 52 milhões de brasileiros. E, além disso, os investimentos somam R$ 32 bilhões e sinalizam a importância crescente do segmento como infraestrutura crítica na digitalização das cidades.

Para Juliana Ulian, idealizadora do Congresso Paulista de Iluminação e Cidades do Futuro (CPIIC), “A iluminação pública inteligente é uma infraestrutura estratégica nas cidades do futuro. Ela vai muito além da eficiência energética: permite a criação de plataformas urbanas que integram segurança, conectividade, monitoramento ambiental e serviços digitais”.

Eficiência e tecnologias aplicadas

O modelo de iluminação pública inteligente baseia-se em sistemas automatizados e equipamentos capazes de operar de forma remota e adaptativa. Entre as principais tecnologias estão as luminárias LED de alta eficiência, sistemas de telegestão, sensores de presença, câmeras, medidores ambientais e postes multifuncionais com conectividade 5G.

“O uso combinado dessas soluções permite uma economia de energia de até 70% e melhora a percepção de segurança nas áreas urbanas”, afirma Juliana. Em cidades que já implementaram essas tecnologias, observa-se também uma redução expressiva de falhas no sistema e nos custos operacionais de manutenção.

Essas soluções foram tema central do CPIIC 2025, que reuniu especialistas, gestores públicos e empresas do setor no último mês de junho em Campinas. O congresso discutiu ainda o papel da iluminação pública na transição energética, na governança de dados e na ampliação do acesso a serviços conectados.

Desafios para municípios de pequeno porte

Apesar do avanço em grandes centros urbanos, a adesão à iluminação pública inteligente ainda enfrenta desafios em municípios menores. “Municípios de pequeno e médio porte enfrentam barreiras técnicas, jurídicas e financeiras. No entanto, modelos consorciados regionais têm se mostrado viáveis para superar essas dificuldades”, explica Juliana Ulian que também é CEO da GHM Solutions – Assessoria de Marketing.

Um exemplo é o modelo desenvolvido na Unicamp para cidades com menos de 50 mil habitantes, que utiliza indicadores padronizados e boas práticas de governança para atrair investimentos e reduzir custos. Segundo levantamento da Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Iluminação Pública (ABCIP), 828 municípios estão atualmente em processo de estruturação de projetos de modernização.

De acordo com a entrevistada, a formação de consórcios intermunicipais, aliada a uma gestão profissionalizada e ao uso da nova Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública (COSIP), viabiliza a expansão desses projetos mesmo em localidades com recursos limitados.

Iluminação, dados e políticas públicas

Além de melhorar a eficiência energética, a iluminação pública inteligente se integra a outras funções urbanas por meio da coleta e análise de dados. Os sensores instalados nos postes possibilitam o monitoramento de tráfego, qualidade do ar e atividades urbanas em tempo real.

“Mais do que produzir dados, é necessário armazená-los, analisá-los e transformá-los em informações que orientem políticas públicas, serviços urbanos e decisões de gestão”, desta-
ca Juliana.

Essa capacidade de gerar informações estratégicas tem sido incorporada a novos contratos de PPPs. Com a reforma tributária (EC 132/2023), a COSIP passou a permitir o custeio também de serviços de conectividade e monitoramento, ampliando o escopo das concessões.

Diretrizes nacionais e o papel das políticas públicas

A digitalização da iluminação pública requer não apenas investimento em infraestrutura, mas também diretrizes claras. A Nota Técnica nº 001/2025 do Ministério das Cidades atua como guia orientador, propondo metas, indicadores de desempenho (KPIs) e padrões de governança para os municípios.

“As políticas públicas precisam garantir que os projetos de iluminação sejam estruturados com base em resultados reais e adaptados à realidade local. Planos municipais de transformação digital serão essenciais para garantir a eficácia e o alcance dessas soluções”, pontua.

Com a nova legislação, os municípios têm maior liberdade para estruturar contratos mais abrangentes e integrados. A tendência é que, nos próximos anos, a iluminação pública seja cada vez mais reconhecida como alicerce para cidades seguras, sustentáveis e digitalmente conectadas.