A travessia Santos-Guarujá, realizada por balsa
(Foto: Reprodução)

Leilão das Travessias Hídricas marca nova era para o transporte aquaviário em São Paulo

Concessão de 20 anos prevê frota elétrica, terminais modernizados e investimentos de R$ 2,5 bilhões

O Governo do Estado de São Paulo marcou para 13 de novembro de 2025 o leilão da concessão patrocinada do Sistema de Travessias Hídricas, na Bolsa de Valores B3, em São Paulo. O projeto, estruturado pela Secretaria de Parcerias em Investimentos SPI, representa um dos maiores investimentos em mobilidade sustentável do estado e promete transformar a experiência de transporte para milhões de paulistas e turistas que utilizam o sistema anualmente.

A concessão, com prazo de 20 anos, prevê investimentos de cerca de R$ 2,5 bilhões e a modernização completa de 14 linhas de transporte aquaviário de passageiros e veículos. Entre as melhorias, estão a substituição da frota atual por 45 novas embarcações, sendo 41 delas com motorização elétrica, além da construção e padronização de terminais com infraestrutura moderna, climatização, banheiros acessíveis e áreas de alimentação e informação.

Segundo a Secretaria de Parcerias em Investimentos SPI, o projeto trará benefícios diretos à mobilidade regional, ao turismo e à economia das regiões litorâneas, metropolitanas e do Vale do Paraíba. A modernização do sistema é considerada um passo decisivo do Governo de São Paulo para integrar o transporte hidroviário às políticas de mobilidade urbana e de sustentabilidade. A expectativa é que, já no primeiro ano de contrato, a população perceba melhorias concretas, com terminais requalificados e uma operação mais eficiente.

Atualmente, o sistema atende 11 milhões de passageiros e 10 milhões de veículos por ano. Com as novas embarcações, maiores e mais modernas, será possível reduzir filas, inclusive durante períodos de alta temporada, além de garantir mais conforto e segurança aos usuários. O contrato de concessão assegura ainda a manutenção da base tarifária atual e das gratuidades já praticadas.

Sustentabilidade e inovação

Um dos pontos de destaque do projeto é a substituição gradual da frota por embarcações elétricas, o que, de acordo com a SPI, representa um marco para a mobilidade sustentável em São Paulo. A nova frota deve reduzir em mais de 18 mil toneladas as emissões de CO2 por ano apenas nas travessias litorâneas, reforçando o compromisso do Governo com a descarbonização e a melhoria da qualidade do ar. A pasta informa ainda que o modelo foi estruturado com base em referências internacionais de eficiência energética e que o parceiro privado a ser definido no leilão precisará comprovar capacidade técnica e financeira para operar o sistema de forma moderna, silenciosa e confiável.

Segurança jurídica e competitividade

A republicação do edital, anunciada em setembro, incluiu ajustes jurídicos, técnicos e operacionais que ampliam a atratividade do projeto junto ao setor privado. O adiamento do leilão para novembro foi solicitado pelos próprios investidores, que pediram mais tempo para aprofundar seus estudos diante da complexidade e do ineditismo da concessão.

O projeto faz parte do Programa de Parcerias de Investimentos PPI-SP, que busca ampliar as oportunidades de investimento e desenvolvimento socioeconômico em São Paulo. A iniciativa já reúne mais de 30 projetos qualificados, com uma carteira de R$ 550 bilhões em investimentos.

“A PPP do Sistema de Travessias é uma iniciativa estratégica de descarbonização e eficiência operacional, com um investimento de R$ 2,5 bilhões. É um projeto transformacional na mobilidade hídrica do estado, substituindo a frota por embarcações elétricas e modernizando todos os terminais. Melhorando a oferta de serviço para os mais de 11 milhões de passageiros e 10 milhões de veículos anuais que utilizam o sistema atualmente”, afirma o diretor-Presidente da Companhia Paulista de Parcerias CPP, Edgard Benozatti Neto.

Com o novo modelo de concessão, São Paulo avança rumo a um sistema de transporte mais moderno, sustentável e eficiente, alinhado às demandas de mobilidade atuais e às expectativas da população por serviços públicos de qualidade.