
Miracatu cria Salas de Recursos de Aprendizagem e inova na inclusão educacional regional
Projeto pioneiro no Vale do Ribeira oferece suporte a alunos com transtornos de aprendizagem
Em julho deste ano, a rede municipal de educação de Miracatu deu início a um projeto considerado inovador e pioneiro na região: as Salas de Recursos de Aprendizagem. A iniciativa, inédita no Vale do Ribeira, oferece atendimento psicopedagógico semanal a alunos com transtornos de aprendizagem, como dislexia, TDAH e discalculia.
O objetivo é garantir que estudantes que apresentam dificuldades de aprendizado tenham acesso a estratégias personalizadas, capazes de favorecer a alfabetização, o desenvolvimento acadêmico e o fortalecimento da autoestima. Inicialmente, cerca de 60 alunos estão sendo atendidos, mas o número deve aumentar conforme a demanda.
Segundo a diretora de Educação de Miracatu, Julie Moraes, a ideia surgiu de uma lacuna identificada na rede municipal. “Nós temos hoje as salas de AEE (Atendimento Educacional Especializado), mas elas atendem somente alunos com algum tipo de deficiência, como autismo ou deficiência intelectual. Não atendiam alunos com transtornos de aprendizagem”, explica.
A alternativa até então disponível eram aulas de reforço, chamadas de oficinas de aprendizagem. Contudo, para estudantes com dislexia ou discalculia, o modelo não se mostrava suficiente. A rede municipal contava apenas com um psicopedagogo, incapaz de atender a todos. Foi nesse contexto que nasceu o projeto.
“Nós tivemos a ideia de criar as Salas de Recursos de Aprendizagem, para ajudar esses alunos que não conseguem aprender da mesma forma que os demais. Fizemos a atribuição de aulas para professores da rede que possuem formação em psicopedagogia”, conta a diretora. “Organizamos turmas de acordo com a necessidade e o local, e começamos o projeto logo após o retorno às aulas em agosto”, afirma Julie.
Desafios de implementação
A diretora conta que o maior obstáculo foi encontrar profissionais disponíveis. “A maior dificuldade foi conseguir os professores. Alguns se inscreveram, mas depois não pegaram as aulas por conta da localização ou do horário. Também tivemos o desafio do espaço físico, já que nem todas as escolas têm salas adequadas”, relata.
Outro entrave está no convencimento das famílias. Embora o atendimento seja gratuito e aconteça na própria escola, parte dos pais ainda resiste. “Infelizmente alguns pais, mesmo tendo tudo isso gratuitamente, não aceitam. São poucos, mas existem”, acrescenta.
Como funciona o atendimento
Os estudantes selecionados são atendidos uma vez por semana, de forma individual ou em pequenos grupos, sempre na própria escola. O acompanhamento é feito por professores com formação em psicopedagogia, que adaptam métodos e materiais para cada caso.
Os critérios de seleção priorizam alunos com laudo de transtorno de aprendizagem ou em investigação diagnóstica. Além do suporte direto ao estudante, o projeto prevê reuniões de orientação a famílias e professores, promovendo estratégias pedagógicas adaptadas e suporte emocional. Mensalmente, as professoras que atuam nas salas se reúnem com a psicopedagoga do município, que acompanha os atendimentos e auxilia na formação continuada.
Resultados esperados
A implantação das Salas de Recursos de Aprendizagem representa um avanço pedagógico e social na região. Com o atendimento especializado, Miracatu oferece novas perspectivas a estudantes que, até pouco tempo, corriam o risco de permanecer à margem do processo educativo.
Com o projeto, a rede municipal fortalece seu compromisso com a equidade e se coloca como referência no Vale do Ribeira, abrindo caminho para que outras cidades adotem medidas semelhantes.
O projeto é visto como um passo decisivo para a inclusão educacional em Miracatu. A ideia é que, ao longo do tempo, os estudantes atendidos consigam superar barreiras e acompanhar o ritmo das turmas.
“A expectativa para o resultado a médio e longo prazo é ajudar esses alunos a serem alfabetizados e atingir o nível dos demais, ou pelo menos aproximar eles do nível esperado da turma”, explica Julie. “Queremos ajudar da melhor forma possível esses alunos para que eles possam desenvolver autonomia”, finaliza.