
Estado avança na restauração ecológica com foco em metas climáticas e apoio a produtores
São Paulo tem se consolidado como referência nacional na restauração e conservação da Mata Atlântica. A mais recente demonstração desse protagonismo foi o 10º Encontro das Secretarias Estaduais da Mata Atlântica,
realizado na sede da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), que reuniu representantes de 17 estados para discutir ações integradas de recuperação do bioma.
No evento, a secretária
Natália Resende destacou que o estado de São Paulo restaurou mais de 21 mil hectares de áreas degradadas nos últimos dois anos e meio — o equivalente a 20 mil campos de futebol. Somente em 2024, foram 10,4 mil hectares recuperados por meio de ações monitoradas ou diretamente conduzidas pelo governo estadual, um avanço significativo diante das metas ambientais e climáticas assumidas.
Parte dessa restauração é fruto de diferentes frentes: 8,1 mil hectares vieram de exigências legais, como condicionantes da Cetesb e projetos voluntários; 6,4 mil hectares foram recuperados como reparação de danos ambientais; 3,3 mil hectares, por iniciativas da sociedade civil; e outros 1,9 mil hectares, por ações vinculadas ao Programa Refloresta-SP.
O estado de São Paulo também apresentou bons resultados em outros indicadores ambientais. Dados do Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD), desenvolvidos em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o MapBiomas, apontam uma redução de 14% no desmatamento da Mata Atlântica em 2024.
Esses resultados são reflexo, também, da combinação de tecnologia e articulação institucional. São Paulo tem utilizado sistemas de monitoramento por satélite, ferramentas de inteligência ambiental e um modelo integrado de fiscalização para conter a expansão agropecuária irregular e as pressões fundiárias.
Isabel Fonseca Barcellos, coordenadora de Conservação e Restauração da Semil, explica que a secretaria tem o sistema SARE, onde todos os projetos ambientais são cadastrados para que possa ser feito o acompanhamento, sendo algumas dessas iniciativas públicas e outras privadas. Segundo ela, essa centralização permite o acompanhamento técnico, a contabilização precisa das ações e a transparência dos dados por meio do Painel Verde, plataforma pública onde os projetos são disponibilizados.
Projeto de sucesso
Apesar de grande parte das ações monitoradas ser privada, a secretaria também executa projetos com financiamento público. Um dos destaques é o PSA Refloresta-SP – Vale Mais Verde, no Vale do Paraíba, que alia conservação ambiental e produção sustentável. Coordenado pela Semil e executado pelo Consórcio Intermunicipal Três Rios, o projeto já celebrou 116 contratos com produtores rurais, destinando mais de R$ 8,7 milhões em pagamentos por serviços ambientais (PSA) e assistência técnica para desenvolvimento dos Planos de Ação nas propriedades atendidas.
Segundo Alexandre Gerard, Chefe de Departamento de Paisagens e Ecossistemas, o Programa Refloresta-SP é desenvolvido para viabilizar a meta de criar condições de restauração de 1,5 milhões de hectares até 2050. “A gente entendeu que uma boa forma de implementar esse projeto seria por meio de consórcios intermunicipais, pois os municípios sozinhos teriam diversas dificuldades, como a alta demanda e a carência de recursos”, explica.
O consórcio selecionado, o Três Rios, atua em dez municípios do Vale do Paraíba. Gerard detalha que o Refloresta-SP é inspirado em aprendizados do projeto Conexão Mata Atlântica, que também promoveu PSA e práticas ecológicas em propriedades rurais. “A gente fez algumas melhorias, algumas otimizações com base nos aprendizados anteriores”, afirma.
Com a proposta de criar um modelo replicável, o Refloresta-SP aposta em práticas como agroflorestas, sistemas silvipastoris e florestas multifuncionais. Esses sistemas proporcionam não apenas recuperação da vegetação nativa, mas também geração de renda e maior resiliência frente às mudanças climáticas. “Estamos desenvolvendo, mas já pensando na possibilidade disso ser ampliado para outras regiões também”, diz Gerard. “Por enquanto estamos amadurecendo o projeto atual, colhendo esses resultados e já pensando em como criar caminhos, fontes de finanças, para ampliar isso para mais regiões do Estado”, completa.
O PSA Refloresta-SP tem duração estimada de dois anos e meio, período considerado adequado para implementar transformações estruturais nas propriedades rurais. A primeira avaliação técnica do projeto indicou que 93% dos planos de ação já foram cumpridos integralmente, revelando alto engajamento dos produtores e resultados positivos em restauração ecológica e melhoria produtiva.