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Municípios do interior paulista caminharam distante da crise. Com apoio do Governo, índices de primeiro mundo.

Das 100 cidades mais desenvolvidas do Brasil, 58 estão localizadas no Estado de São Paulo. A informação é do Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM) edição 2018 divulgado na segunda quinzena de junho.

O levantamento tem como base dados de 2016 referentes aos segmentos de emprego e renda, saúde e educação. Ao todo, 5.417 municípios brasileiros foram avaliados e apenas 431 tiveram alto índice de desenvolvimento, o que representa 7,9% do total. Louveira, Olímpia e Estrela do Norte foram as três primeiras colocadas.

O Estado de São Paulo apresentou a maior proporção de municípios com desenvolvimento moderado ou alto entre os estados brasileiros. Das 643 cidades avaliadas, 177 tiveram índice alto, o que representa 27,5% do total. Outras 462 (71,9%) apresentaram índice moderado e apenas quatro municípios paulista tiveram desenvolvimento regular. Nenhum teve baixo desenvolvimento.

Segundo informações publicadas pela Agência Brasil, São Paulo ficou com 200 colocações entre os 500 primeiros colocados. “Quase um terço do estado concentra-se entre os 500 municípios mais desenvolvidos do país”, concluiu o relatório.

Para o coordenador de Estudos Econômicos do Sistema Firjan, Jonathas Goulart, os resultados são fruto, principalmente, de uma boa administração nas áreas de educação e saúde nesses municípios nos últimos anos. “São municípios que têm uma atividade produtiva local bastante forte. E eles conseguiram transformar esse bom ambiente econômico em melhoras em educação e saúde”, analisou o profissional para o portal de notícias.

• LOUVEIRA •

Pela segunda vez consecutiva, Louveira (que fica a 70 quilômetros de São Paulo), é a primeira colocada no ranking. A cidade de 43.862 habitantes – segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – teve nota máxima no IFDM e é a única do Brasil a registrar índice acima de 0,9.

Bicampeã. Louveira, pela segunda vez é a primeira no índice FIRJAN

Na cidade, 98% dos professores que atuam no ensino básico tem ensino superior e apenas 6,9% dos alunos não estão na série adequada para suas idades. Na saúde, 86% das gestantes têm ao menos sete consultas pré-natais durante a gestação (a média do país é de 69%) e apenas 0,7% das mortes são por causas mal-definidas.

O levantamento destaca a cidade como sede de importantes empresas multinacionais e de logística. A prefeitura afirma que Louveira tem como atrativos a localização estratégica e mão de obra qualificada, além de leis criadas nos últimos anos que garantem facilidades e subsídios aos empresários.

• RANKING •

Olímpia, que fica 536 quilômetros de São Paulo, conhecida como polo turístico, ocupa a segunda posição – na divulgação anterior era a 83ª colocada.

Geninho. Eugênio José Zuliani foi prefeito de Olímpia e anteriormente, enquanto vereador foi diretor da UVESP.

No último mês, a cidade assinou dois contratos de repasses destinados a obras de infraestrutura urbana e ao turismo, principal atividade econômica do local. Os repasses têm origem em emendas parlamentares para ajudar no desenvolvimento municipal, somando aproximadamente R$ 680 mil.

Estrela do Norte, localizada a 595 quilômetros da capital do Estado, saltou da 526ª posição para o terceiro lugar. O índice foi impulsionado pela geração de empregos na construção civil.

• ATRASO •

Por conta da crise econômica, o IFDM destaca que o desenvolvimento das cidades brasileiras “regrediu três anos no tempo”, e que o equilíbrio fiscal é importante para que haja uma recuperação da condição antes da crise e “para a manutenção dos recursos que são direcionados para as políticas públicas municipais”, diz o estudo.

“A principal barreira para o desenvolvimento dos municípios é a gestão mais eficiente dos recursos. Dessa forma, acelerar o desenvolvimento no interior do país passa por uma política ampla de capacitação e aprimoramento dos gestores públicos, sobretudo nas regiões menos desenvolvidas”, diz o texto.

• ÍNDICE •

O cálculo do IFDM considera uma escala de 0 a 1. Quanto mais perto de 1, mais desenvolvida é a cidade.

Entre 0,0 e 0,4, o município apresenta baixo estágio de desenvolvimento. Entre 0,4 e 0,6 o desenvolvimento é regular. Entre 0,6 e 0,8 a cidade tem desenvolvimento moderado e entre 0,8 e 1,0 alto estágio de desenvolvimento.

A nota é calculada segundo a análise de três conjuntos de indicadores e tem por base informações oficiais do Governo Federal. Em emprego e renda, o índice considera o quanto a cidade gera de empregos formais, sua capacidade de absorver a mão de obra local, quanto a renda formal é gerada, os salários médios e a desigualdade social.

Na área de educação, o Firjan analisa o número de matrículas na educação infantil, a proporção de estudantes que abandonam o ensino fundamental, a distorção idade-série, o número de professores com ensino superior, a média das aulas diárias e o resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) no ensino fundamental.

O índice saúde é calculado com base no número de consultas pré-natal, óbitos por causas mal definidas, óbitos infantis por causas evitáveis e número de internações sensíveis à atenção básica.

Olímpia. Obteve grande impulso na gestão de Geninho Zuliani, que ficou até 2015, obtendo a elevação a Estância Turística.
 

Juliana Franco • Jornalista
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